Depois de
certo tempo, quando os ferimentos emocionais começassem a sarar, os discípulos
buscariam um jeito de perpetuar Jesus. Talvez reunissem seus sermões em forma escrita,
de maneira parecida com um dos nossos evangelhos, embora com as reivindicações
mais sensacionais excluídas. Ou, junto com os judeus daquele período que
honravam outros profetas-mártires, poderiam construir um monumento à vida de
Jesus. Nesse caso, nós, os que vivemos nos tempos atuais, ainda poderíamos
visitar esse monumento e aprender a cerca do filósofo-carpinteiro de Nazaré.
Poderíamos peneirar suas palavras, levando em conta ou deixando de lado o que quiséssemos.
No mundo inteiro, Jesus seria respeitado como Confúcio
ou Sócrates são respeitados.
Em muitos
aspectos eu acharia mais fácil aceitar um Jesus não ressurreto. Sem a ressureição
eu acharia uma tragédia Jesus morrer jovem depois de alguns poucos anos de
ministério. Que desperdício partir tão cedo, tendo influenciado tão pouca gente
numa pequena parte do mundo! Mas, observando essa mesma vida pelo ângulo da ressureição,
vejo que esse foi o plano de Jesus o tempo todo. Ele ficou o suficiente para
reunir ao redor de si os discípulos que poderiam transmitir a mensagem aos
outros. Matar Jesus, diz Walter Wink, foi como
tentar destruir um dente-de-leão assoprando nele.
Nada agradou Jesus mais do que os sucessos dos seus discípulos;
nada o perturbou mais do que seus fracassos. Ele viera a terra com o alvo de
partir novamente, depois de transferir
sua missão aos outros.
Como
Jesus se sentiu quando teve a visão penetrante das terríveis consequências do
que liberou no mundo, não apenas para ele mesmo, mas também para os poucos achegados
a ele, seus melhores amigos em todo o mundo? "Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai ao filho [...]E
odiados por todos sereis por causa do meu nome..."
Seria
demais dizer que, desde a ascensão, Jesus tem procurado outros corpos para
iniciar de novo a vida que viveu na terra? A igreja serve como extensão da
encarnação, que foi o primeiro jeito de Deus estabelecer sua presença no mundo.
Somos “pós-Cristos”, na cunhagem de Gerard Manley Hopkins: "... pois Cristo se apresenta em dez mil
lugares, belo nos olhos, e belo no corpo, não o dele, agradável ao Pai nos
humanos olhares."
A igreja
está onde Deus mora. O que Jesus trouxe para alguns, a igreja pode agora trazer
a todos. Esse foi o desafio que Jesus deu exatamente antes de se desvanecer
diante dos olhos dos discípulos entorpecidos. "Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer", explicara antes, "fica
só. Mas se morrer, produz muito fruto". A propagação pelo método do
dente-de-leão.
Mas... se
Jesus permanecesse na terra, poderia responder às nossas perguntas, resolver
nossas dúvidas, mediar nossas disputas de doutrina e política. É muito mais
fácil aceitar o fato de Deus encarnando em Jesus de Nazaré do que nas pessoas
que frequentam uma igreja. Porém, é nisso que nos pedem para crer; é assim que
nos pedem que vivamos. Jesus desempenhou o seu papel e depois partiu. Agora é a
nossa vez.
Vivemos num mundo de postes,
telefones e máquinas, e a realidade desse universo material tende a sobrepujar
a nossa fé num universo espiritual que paira sobre tudo. Jesus assumiu o risco de ser esquecido e cabe a
nós não deixar que isso aconteça.
Philip Yancey
(Texto adptado e extraído do Livro “O Jesus Que Eu Nunca Conheci”)













Fantástico este texto!
Os planos de Deus parecem loucura inicialmente e são simplesmente perfeitos!
Deus abençoe Kenia.